Resposta a um fiel da IURD

Recebi um comentário em um post antigo que merece um post de resposta…

O post ao qual o comentarista indignou-se é este: “O aborto e a Teologia do Ódio de Edir Macedo”. Nesta postagem, eu desmontei pseudo-argumentações de Edir Macedo, que, tal qual um lacaio do demônio (by Bernardo de Andrade), chega à baixeza de utilizar a própria Bíblia para defender o aborto.

Uma das coisas que mais impressiona nos tempos atuais é a quantidade de pessoas que estão dispostas a defender o indefensável. E não é que o milionário da IURD acha quem o defenda? Tem gente que se acha bem no papel de lacaio do lacaio do demônio. Triste.

Como de costume, segue o comentário na íntegra e como chegou aqui. Após, será a análise.

“olha sou Cristão e adoro o DEUS de Israel e não estatuas e deus que nem tem força de auto andar tem que ser carregado por algum ser humano eu sou a favor do aborto em casos especificos concordo com o Edir e quem sou eu para juga-lo mais de uma coisa posso dizer no Brasil ainda não vi um homem ganhar tantas vidas para Jesus como ele ganha com o trabalho que ele faz tiro meu chapeu para o mega evangelismo que é feito peça IURD e ainda digo mais a biblia diz lá em Jeremias que Deus o escolheu desde o ventre de sua mãe mais a bilia está falando de Jeremias e não de mim e nem de vc sei que existe casos que a criança tem que ser gerada mais existe casos que infelismente não dá como é que vai ser o futuro dessas crianças que dão a luz a outra criança e dessas mães que tem o feto deformado que nem pode viver normal? descupas mais vivo pela fé inteligente e não pela emocional!!oberdan gomes”

Veio mal escrito mesmo… Ponto, vírgula, separação entre as orações, nem pensar. Deve ser característica da seita. Normalmente, não ligo para isto, pois o mais importante é o que a pessoa tenta argumentar. Neste caso é diferente, pois o sr. Oberdan Gomes quer destilar suas asneiras fundamentando-se em um suposto conhecimento bíblico.

O caso é que a Bíblia não é livro para arrogantes. É para os humildes de coração. Como o sr. Oberdan disse que vive pela “fé inteligente e não pelo emocional”, eu o tratarei segundo seus próprios parâmetros, que são os de uma pessoa que se arroga inteligente.

Uma pessoa inteligente, como o sr. Oberdan diz que é, deveria, em primeiríssimo lugar, prezar pelo trato com seu idioma. O texto acima deixa claro que ele passa bem longe disto. E é uma pessoa assim que se arroga o direito de fazer livre exame das Sagradas Escrituras? Sei, sei…

Mas deixarei de lado este ponto fundamental do pensamento do sr. Oberdan e tentarei colocar um pouco de ordem no caos de seu pensamento para que possamos minimamente tentar entender o incensamento que ele faz de Edir Macedo e suas idéias abortistas.

1) “olha sou Cristão e adoro o DEUS de Israel e não estatuas e deus que nem tem força de auto andar tem que ser carregado por algum ser humano”

Infelizmente, uma das principais características destas seitas protestantes é a ignorância. Arrogantemente batem no peito sobre as grandes invenções de Lutero — “Livre Exame”, “Sola Scriptura” e “Sola Fide” –, mas acabam mesmo é acreditando no primeiro pastor-berrador que abriu a última igrejola na esquina.

Dica de amigo, sr. Oberdan: vá estudar! Vá estudar para saber a diferença entre adoração e veneração. Vá estudar para saber que os primeiros cristãos sabiam bem que a veneração de imagens nada tinha a ver com idolatria. Pois é, os mesmos cristãos que eram martirizados, cuja coragem frente a seus algozes foi a semente de mais e mais cristãos, são estes mesmos que sabiam perfeitamente que a adoração é devida ao Deus Único, mas também sabiam que a veneração aos santos em nada pode ser comparada à idolatria.

Esta acusação protestante não é nova, é coisa já irritantemente velha, é coisa que já foi mais do que satisfatoriamente respondida há séculos. As respostas continuam as mesmas, o que muda é somente o tom das acusações e também as intenções dos acusadores. No caso do sr. Oberdan, ele quer tentar dizer que seu cristianismo é melhor que o dos outros ou mais esclarecido ou mais purificado. Na verdade, verdade mesmo, é apenas mais ignorante do que os protestantes de outrora.

Se o sr. Oberdan fosse estudar, se se dispusesse a percorrer o mesmo caminho de inúmeros protestantes covertidos à Fé da Igreja de Cristo, ele conheceria quem foi São João Damasceno, Doutor da Igreja, que já no século VIII combatia os iconoclastas. Eis um trechinho do que escrevia o grande santo:

“O que é um livro para os que sabem ler é uma imagem para os que não sabem. O que é ensinado com palavras ao ouvido, é ensinado por uma imagem aos olhos. As imagens são o catecismo daqueles que não lêem.”

Para facilitar a vida do sr. Oberdan, e também para evitar ter que gastar meu tempo defendendo coisa que já foi por demais respondida, vão aqui alguns links para que ele possa começar seu estudo, caso queira mesmo deixar a ignorância sobre o assunto para trás. Sempre é tempo!

http://www.veritatis.com.br/article/4478/a-biblia-condena-o-uso-de-imagens-deus-permite-a-fabricacao-de-imagens
http://www.veritatis.com.br/article/3934/a-intercessao-dos-santos
http://caiafarsa.wordpress.com/proibicao-de-imagens/
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cartas&subsecao=apologetica&artigo=20040827093000&lang=bra/lfotos
http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/iconografia/a_iconoclastia.html
http://es.wikipedia.org/wiki/Juan_Damasceno

2) “eu sou a favor do aborto em casos especificos concordo com o Edir e quem sou eu para juga-lo mais de uma coisa posso dizer no Brasil ainda não vi um homem ganhar tantas vidas para Jesus como ele ganha com o trabalho que ele faz tiro meu chapeu para o mega evangelismo que é feito peça IURD”

Não se trata de julgar Edir Macedo, trata-se de julgar suas ações, suas atitudes. Atualmente, muitos cristãos têm uma interpretação errada das palavras de Nosso Senhor: “Não julgueis para não serdes julgados”. Esta exortação de Nosso Senhor Jesus Cristo é para que não corramos o risco de, orgulhosos, fecharmos as portas do céu — como se tivéssemos poderes para tanto — àqueles que sinceramente o procuram. É também para que tenhamos sempre em nosso pensamento que o mesmo erro que vemos o próximo cometendo poderemos no momento seguinte cometê-lo, ou ainda fazer coisa pior. É, resumindo, um chamado à humildade, à compreensão mútua, à consciência de nossos próprios erros.

Só que estas palavras de Nosso Senhor não nos impele a uma relativização do mal, do erro. Muito pelo contrário! Aumentando nossa consciência sobre nossa própria humanidade sujeita a falhas, torna-se claro que o que deve ser intolerado é o erro em si, e não a pessoa que comete o erro. A um devemos combater; ao outro, compreender. O que não se pode é utilizar as palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo para ser condescendente com erro, como faz o sr. Oberdan. Ao invés de amar o pecador e odiar o pecado, um pensamento assim é liberal com o pecado pensando em sê-lo com o pecador. Resultado: não só dá força ao pecado, pois evita combatê-lo, como ajuda o pecador a seguir firme em seu erro, pois evita apontar seus erros. É a pior das piores soluções.

Edir Macedo ganha vidas para si mesmo apenas, para a sustentação de seu império. Mesmo no meio protestante seu método e sua obra são vistos com maus olhos. Sua pregação é rasteira, exatamente como é sua defesa do aborto através da Bíblia. Que ele faça sucesso entre os ingênuos que lhe dão ouvidos, principalmente entre os desesperados, é sinal tanto do mau estado moral e intelectual de nosso povo, quanto do estrago que a patética Teologia da Prosperidade pode fazer entre os desavisados. Aliás, sr. Oberdan, se sucesso popular fosse parâmetro de correção religiosa, hoje não seríamos cristãos e, sim, “barrabistas”.

3) “e ainda digo mais a biblia diz lá em Jeremias que Deus o escolheu desde o ventre de sua mãe mais a bilia está falando de Jeremias e não de mim e nem de vc”

Eis um dos problemas da arrogância, da falta de humildade: ela é limitadora. Que o trecho em questão está falando de Jeremias é de uma obviedade tão grande que até mesmo Edir Macedo e assemelhados conseguiriam perceber. Mas o que o sr. Oberdan e os que seguem o “método edirmacediano” de exegese não percebem é que o mesmo Deus que conhece Jeremias ainda no ventre de sua mãe também conhece a cada um de nós. E por que não seria assim? Não fosse, seria um deus estranho, um deus que dá a vida para um Jeremias, mas que a nega para, digamos, um William Murat, seria um deus com “d” minúsculo, um deus compatível com a profundidade teológica de Edir Macedo.

E, seguindo a linha de pensamento do sr. Oberdan, a vida de um Jeremias é para ser preservada, mas não a de um William? Quem decide isto? O sr. Oberdan? Edir Macedo? E como estes doutores saberiam se o que vai no ventre de uma mãe é um Jeremias ou um simples William?

O caso é que Edir Macedo e seu seguidor, o sr. Oberdan, querem ter direitos que só Deus tem; querem limitar os atributos de Deus, de quem procede o dom da vida, para que o homem seja senhor não do seu próprio destino através de seu livre-artbítrio, mas sim do destino de outros, neste caso, frágeis bebês ainda no ventre de suas mães.

4) “sei que existe casos que a criança tem que ser gerada mais existe casos que infelismente não dá como é que vai ser o futuro dessas crianças que dão a luz a outra criança e dessas mães que tem o feto deformado que nem pode viver normal?”

O sr. Oberdan confia muito pouco na Divina Providência, infelizmente. “(…) porque a Deus nenhuma coisa é impossível” (S. Lucas 1:37), lembra sr. Oberdan? Como será o futuro destas crianças? Só Deus sabe… O que não pode é o senhor, tal qual um vidente, advogar que é melhor abortar uma criança porque sua mãe é adolescente, ou porque seus pais não têm as condições financeiras ideais, ou porque ela tem Síndrome de Down, ou porque lhe faltam ambas as pernas, etc.

Aliás, como é vago o termo “condição financeira”! Por exemplo, se um casal concebe um filho mas, no meio da gestação, ambos perdem seus respectivos empregos, deverão poder recorrer ao aborto?

O que acontece é que a questão fundamental a ser respondida é se o ser concebido é ou não humano. Este é o ponto a partir do qual o matar ou não o ser concebido deve ser analisado, e não se seus pais têm ou não condições para criá-lo segundo sabe-se lá quais parâmetros. É exatamente este relativismo quanto a qual vida deve ser vivida que deve ser combatido.

O curioso é que para o sr. Oberdan a morte de crianças ainda no ventre de suas mães é uma solução viável porque ele está preocupado com o futuro destas mesmas crianças. É mais ou menos assim: por ele estar preocupado com o futuro de uma criança, ele prefere que os pais desta mesma criança possam negar-lhe um futuro. Vá tentar entender um tal pensamento… Bem, sr. Oberdan, pode ser que a maioria das crianças não tenham um futuro tão promissor quanto o de um Edir Macedo, mas uma coisa ao menos elas têm em comum com seu ele: são humanas.

Que tal, então, se Edir Macedo utilizasse sua cada vez maior influência política junto ao governo federal para amparar a tantos casais e mães que se vêem passando por problemas financeiros durante a gravidez? Que tal batalhar por um sistema de saúde mais eficiente, que disponibilizasse um pré-natal para todas as grávidas? Que tal criar mais creches? Que tal criar um programa de amparo às mães adolescentes? Que tal criar programas educativos que realmente orientassem os jovens e adolescentes quanto ao valor que se deve dar à sexualidade, ao contrário das ridículas e totalmente ineficientes campanhas atuais, que apenas vulgarizam mais ainda os relacionamentos e cujo único foco é a distribuição de preservativos?

Só que criar melhores condições para os casais terem filhos leva tempo, custa dinheiro… Sem contar que fazer o realmente correto vai contra o pensamento da patota, não é mesmo? Entre o moralmente correto e o que é financeiramente mais interessante, tem gente que escolhe a 2a. alternativa. Pois é…

5) “descupas mais vivo pela fé inteligente e não pela emocional!!oberdan gomes”

Pelo que foi até excessivamente demonstrado, a fé do sr. Oberdan tem nada de inteligente, é apenas arrogante. E mais: é uma fé utilitarista, que enxerga o ser humano apenas pelo seu valor material, pelo que ele pode produzir, pelo seu valor de mercado. Isto é uma fé inteligente? Não mesmo. Nem mesmo é um arremedo de fé. É nada.

Não se desculpe, sr. Oberdan! Converta-se!

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